sexta-feira, 23 de julho de 2010

ICTERÍCIA NO RN

Comumente, o recém-nascido pode se apresentar com uma cor amarelada horas após o nascimento(icterícia).Se isso acontecer precocemente(antes de 24 horas de nascido), considera-se que existe alguma patologia a ser investigada(Ex: incompatibilidade sanguinea), mas, se a ocorrência se dá posteriormente, provavelmente a icterícia é fisiológica.
A cor amarela é proveniente de um pigmento no sangue que, em determinadas circunstâncias e grau de intensidade, pode se depositar no cérebro, causando uma grave neuropatia(Kernicterus).Antes que isso aconteça, o recém-nascido pode ser,preventivamente, submetido a banhos de luz(fotorerapia) ou, em casos extremos, a uma troca de sangue(exsanguineotransfusão).
Se a icterícia aparece num recém-nascido prematuro ou de baixo-peso a evolução pode ser mais grave.
O pediatra costuma fazer uma clínica inicial da intensidade da icterícia através do "olhômetro" , ou seja, pela observação visual.Entretanto,quando essa icterícia é suspeita ou intensa, deverá, obrigatoriamente, ser confirmada por exames laboratoriais

SAÚDE

O governo , vira e mexe, tenta impingir à população brasileira novos impostos para a saúde, alegando a necessidade de mais recursos;entretanto, um alto investimento não é garantia de qualidade de acesso para os cidadãos, pois, basta ver o exemplo dos Estados Unidos,que aplica 16% do PIB no setor e gasta US$7.290,00 por
habitante,mas,mesmo assim, seus indicadores de saúde são inferiores aos de diversos paises
da América Latina e da Europa e cerca de 45 milhões de americanos ficam sem assistência médica, excluidos dos sistemas público e privado!!!
A recente reforma do sistema de saúde, implantada, a duras penas, pelo presidente Obama, em contraste com o SUS brasileiro, ainda fortalece a iniciativa privada e a lógica do mercado, minimizando a presença do Estado e enaltecendo o papel das seguradoras.
Mesmo com as mudanças na política de saúde americana, estima-se que 15 milhões de pessoas ainda continuarão sem acesso a qualquer serviço de saúde.Nesse aspecto estamos bastante à frente dos americanos.

ATESTADO MÉDICO

Quase que diariamente, o profissional médico, quer nos serviços públicos quer nos consultóriios particulares, é assediado, não só por pacientes mas, o que é pior, também por parentes e amigos, à procura de um atestado médico, na maioria das vezes, com o objetivo de resolver, simplesmente, problemas pessoais ou administrativos, tais como falta ao trabalho, às aulas ou dispensa de educação física.
Tudo isso seria natural e legal se não lhe fosse pedido um atestado que "não corresponde à prática do ato que o justifique", ou seja, um atestado falso.
As pessoas leigas, em sua maioria, não entendem por que o médico se nega a dar este tipo de atestado pois desconhecem totalmente os aspectos ético-penais envolvidos na emissão deste documento e, até mesmo, alguns médicos desconsideram esta infração, prevista no Código de Ética Médica, porque a eles não se aplicam, habitualmente, os rigores da lei.
É possível que, em face disso, o atestado falso se constitua a regra e o verdadeiro a exceção, o que é, no mínimo, uma atitude moralmente condenável, que deveria pesar na consciência do profissional.
Solicitar ao médico que emita um atestado falso é o mesmo que lhe pedir que cometa um ato criminoso, deixando-o inteiramente constrangido e pondo em cheque a sua honorabilidade.

SAÚDE JUDICIALIZADA

Sabe-se que a Constituição Federal estabelece a assistência farmacêutica gratuita.Com base neste direito, a Justiça costuma interferir na seara médico-farmacêutica, determinando , invariavelmente, sem qualquer parâmetro, o imediato fornecimento de medicamentos,muitas vezes ainda utilizados em caráter experimental, sem a eficácia devida -
mente comprovada no meio médico.
A judicialização da saúde é preocupante, visto que vem ocasionando sérios desequilíbrios financeiros não só nas contas públicas da União,Estados e Municípios, como, também, nas da área privada(operadoras de planos de saúde),
uma vez que, habitualmente, esses medicamentos são de alto custo, não padronizados ou sem registro da ANVISA.
Há necessidade,portanto, de bom senso e que as liminares e decisões judiciais finais se amparem nos conheci-
mentos científicos, utilizando subsídios técnicos de médicos e farmacêuticos, que demonstrem, cabalmente, a eficácia e segurança diagnóstica ou terapêutica dos medicamentos ou procedimentos pleiteados pelos cidadãos.

BULLYING

A agressividade entre estudantes , bem como os conflitos gerados entre professores e alunos, ou vice-versa, é um fenômeno universal e acontece em todas as escolas, em maior ou menor grau.Esses atos de violência são conhecidos por bullying.
Estudos realizados em escolas municipais do Rio de Janeiro demonstraram que 40,5% dos adolescentes admitiram já ter se envolvido, diretamente, em situações de bullying, ainda que 80% dos estudantes tenham afirmado desaprovar esses comportamentos.
Diversos autores acreditam que a prática de bullyling esteja correlacionada com múltiplos fatores, tais como questões socioculturais, dinâmicas familiares, influência de mídia, videogames,etc...
As situações de bullying podem variar desde formas leves de agressão até formas mais severas, com utilização, inclusive, de armas de fogo.
Observou-se que a prática de bullying ocorre, prioritariamente, entre crianças e adolescentes normais, tanto no sexo masculino como no feminino.
Os aspectos socioculturais parecem influenciar nas diferentes situações de bullying.Nas escolas ocidentais, os autores, geralmente, são mais velhos, de séries mais avançadas, se utilizam de agressões verbais e físicas e nunca tomam os seus amigos como alvos.Já nas escolas orientais, como no Japão e Coréia, o bullying ocorre mais entre os estudantes da mesma classe, que, mais comumente, tendem a utilizar a exclusão social como forma de violência contra os colegas de sala.
A utilização da tecnologia da informação, como a internet e telefones celulares, com textos e imagens, tem permitido uma nova estratégia para a prática de bullying, denominada cyberbullying, que extrapola os limites da escola, com um impacto muito mais devastador.
Os autores de bullying têm chances quatro vezes maiores de adotarem comportamentos de risco, tornarem-se delinquentes, violentos e criminosos.Já os alvos de bullying podem apresentar depressão, ansiedade, baixa auto-estima,etc...
Como pediatra, creio que, sob pena de se tornarem um ambiente inseguro, com altos índices de agressividade e perda de contrôle sobre os comportamento dos jovens, as escolas deveriam agir, imediata e efetivamente, para reduzir a prática de bullying entre os seus alunos.

DESPERDÍCIO...

Enquanto vão para o lixo toneladas de alimentos, estima-se que 51 milhões de pessoas passam fome apenas na América Latina.
Após um lauto almôço de domingo em família, habitualmente perdem-se "restos" de alimentos, que poderiam ser bem reaproveitados, se nos conscientizássemos e mudássemos alguns de nossos hábitos alimentares.
Quantas vezes os produtores jogam fora excedentes, apenas para evitar que se reduza muito o valor comercial dos alimentos, caso cheguem aos mercados?Por que tal desperdício se o excedente poderia ser distribuído para entidades carentes?
Pesquisas realizadas na CEASA-RJ mostraram que, dentre vários produtos, 40% das bananas e morangos e 50% das couves e alfaces são perdidos na comercialização.
Estima-se que uma familia brasileira joga fora, em média, 500 g de comida diariamente e um hipermercado desperdiça 2 mil quilos por mês de alimentos bons para o consumo mas não para a venda.
No Brasil ocorre um desperdício de 26 milhões de toneladas de alimentos por ano, volume suficiente para alimentar 35 milhões de pessoas!!!
Por que não existem políticas públicas para o debate desse problema?Será que algum presidenciável incluiu esse tema em seu programa de governo ou o considera de somenos importância?

PALMADAS...

Pais que espancam filhos, com o intuito de educar ou impor autoridade, representam a exceção, pois fogem dos parâmetros do bom senso e da normalidade e incluem-se no rol dos casos criminosos e patológicos, que, aí sim, exigem a intervenção da Lei, com punição e/ou tratamento médico dos responsáveis.
Contudo, entendemos que, em casos excepcionais e extremos, em situações de iminente perigo, a que, muitas vezes, uma criança pode se expor, apesar das reiteradas advertências dos pais, uma palmadas se constituem, em alguns momentos, na única medida educativa eficaz.
Cremos que o Governo tem muitos outros problemas mais sérios com que se preocupar e que são de sua alçada e não deveria, desta forma, se meter a ensinar aos pais a maneira mais acertada de educar os filhos dentro do lar.
Certamente, os delinquentes e marginais de hoje são aqueles que,quando crianças, não tiveram limites impostos pelos pais e foram atendidos em todos os seus caprichos e vontades e não aqueles que, na ocasião apropriada,levaram algumas palmadas.